Um levantamento recente da Heach Recursos Humanos, empresa de recrutamento e seleção, chamou atenção para uma mudança na forma como as empresas avaliam candidatos: o domínio técnico, que por décadas foi o principal critério de seleção, tem perdido espaço para fatores comportamentais.
De acordo com a “Pesquisa Nacional Heach 2026 – O Brasil Contrata por Competência ou por Comportamento?”, que ouviu quase 5 mil participantes entre candidatos, profissionais de RH e empresários com poder de contratação, menos de 15% dos profissionais de RH consultados apontam a falta de conhecimento técnico como o principal motivo de eliminação em processos seletivos. Em contrapartida, questões como comunicação, postura em entrevista e alinhamento à cultura da empresa concentram a maior parte das reprovações.
Por que isso está acontecendo
A explicação mais recorrente entre especialistas é prática: conhecimentos técnicos podem ser ensinados depois da contratação — sistemas, processos e ferramentas específicas fazem parte do treinamento interno de qualquer empresa. Já habilidades como escuta ativa, inteligência emocional e capacidade de trabalhar em equipe levam mais tempo para se desenvolver e, por isso, passaram a pesar mais na decisão final do empregador.
Entre empresários ouvidos na mesma pesquisa, o perfil comportamental aparece como o principal fator de decisão na contratação, à frente até da experiência profissional e da formação acadêmica.

O que isso muda para quem procura emprego
Para quem está em busca de recolocação, o dado é um alerta prático: cursos e certificações continuam importantes, mas não bastam sozinhos. Vale investir também em:
- Comunicação clara, tanto na entrevista quanto no dia a dia de trabalho;
- Postura profissional — pontualidade, escuta atenta, respostas objetivas;
- Capacidade de se adaptar a diferentes equipes e contextos;
- Demonstrar, com exemplos concretos, como já lidou com desafios ou conflitos no trabalho.
Na hora da entrevista, isso significa ir além de listar competências técnicas no currículo: é preciso mostrar, com situações reais, como essas habilidades comportamentais se aplicam na prática.